na zona tórrida do brasil – visita aos indígenas

R$ 45,00

ISBN: 978-6587451046 Categories: ,
Descrição

texto: benjamin péret
tradução, posfácio e cronologia: leonor lourenço de abreu
apresentação: jérôme duwa
fotografias: benjamin péret
texto de orelha: michael löwy
projeto gráfico: renaud buénerd
editora: 100 cabeças

na zona tórrida do brasil – visita aos indígenas

o poeta surrealista benjamin péret (1889–1959) – acima de tudo um insurgente, advertem os editores – dedicou grande parte de sua vida a temas cruciais da sociedade, constantemente denunciando a barbárie “civilizatória”, o obscurantismo e tudo aquilo que asfixia e ameaça a liberdade do espírito. Uma amostra das aventuras deste homem que levou a vida aos limites do surrealismo é na zona tórrida do brasil – visita aos indígenas, edição inédita no Brasil que a 100/cabeças traz a público.

péret já havia publicado excertos desse trabalho: dois em português, nas revistas manchete (n. 211, 1956) – também presente nesta edição – e anhembi (n. 88, 1958), e um em francês, em le surréalisme, même (n. 5, 1959). já o manuscrito original de seu relato foi publicado em uma edição de suas obras completas (Œuvres
complètes, n. 6, josé corti, 1992). agora, além do texto integral, na zona tórrida do brasil apresenta vinte e cinco fotografias feitas pelo próprio autor durante suas viagens.

desde a primeira vinda ao país (1929-31), recém-casado com a soprano brasileira elsie houston (1902–1943), péret manifestava seu vivo interesse nas dimensões mágica, mítica, histórica e política do brasil. na segunda viagem (1955-56), o “surrealista exemplar”, como o coloca jérôme duwa em sua apresentação para o livro, faz hábil uso do próximo e do distante para permitir ao leitor penetrar regiões remotas do país. o poeta foi à amazônia conviver com os mehinako e kamaiurá do alto xingu, andou pelo nordeste com os karajá da ilha do bananal e visitou pontos distantes do centro-oeste do brasil, habitados pelos xavante.

no posfácio como se abríssemos uma porta, leonor lourenço de abreu – que também assina a cronologia presente nesta edição – escreve que essa experiência sensível é uma “descoberta de territórios desconhecidos e um conhecimento do Outro por um narrador-viajante”. o surrealista confrontou duas temporalidades no Brasil dos anos 1950: “a modernidade tecnológica desenfreada e a vida de povos que lembram os da pré-história”. tomado pela vertigem das sensações, sua viagem anacrônica passou “de uma era para a outra como se abríssemos uma porta”.

em na zona tórrida do brasil, péret levanta questões de ordem política, antropológica e ética a respeito do lugar dos povos indígenas no seio da sociedade brasileira. nas palavras de michael löwy para a orelha do livro, “hoje, como em 1956, os indígenas são os guardiões da floresta, que tentam protegê-la contra a destruição sistemática promovida pelo agronegócio capitalista”. assim, a aspiração do poeta surrealista consiste em embrenhar-se nas fontes matriciais da poesia como palavra mítica, em plena mata virgem, lugar em que natureza e cultura se entrelaçam em oposição ao dualismo da civilização ocidental, ainda que o equilíbrio seja frágil.

embarque nesta viagem, onde a floresta é “personagem onipresente, todo-poderoso e devorador, que sorve e absorve”, como a “grande boca prestes a se precipitar sobre o intruso”.