carta à vidente

R$ 38,00

ISBN: 978-65-87451-00-8 Categories: ,
Descrição

texto: antonin artaud
tradução: bruno costa
reenvio de carta: sergio lima
ilustrações: antónio gonçalves
editora: 100 cabeças

carta à vidente, de antonin artaud, com reenvio de sergio lima

antonin artaud (1896-1948), poeta, dramaturgo, surrealista, xamã, órfico de obra permeada pelo esforço em escapar do inferno. quem recusou expressar-se através somente da expressão artística, o autor da visão trágica, cuja violência sensorial que trazia pro teatro buscava a imanência do gesto na linguagem inaugural ao destruir a “palavra soprada” e deixar que falasse pelo movimento da língua para “devolver à arte a noção de uma vida apaixonada e convulsiva”.

tido como um dos principais quem tomaram as rédeas do bureau central de pesquisas surrealistas, teve o texto carta à vidente publicado na revista la révolution surréaliste (no8, dez/1926), um mês depois de ser excluído pelo grupo surrealista de paris por divergências políticas – a reconciliação com andré breton ocorreu somente em 1935. esses dois que, assinalou português mário cesariny, “são duas grandezas e revoluções – no sentido astrofísico – complementares. o que falta a um, sobra ao outro”.

em carta à vidente, é como se o autor “estivesse nu” diante da cartomante que visita, cujos olhos “percorrem vertiginosamente” as fibras de seu corpo e extirpa o mal do pecado. artaud coloca-se aberto ao “abraço do mais-querer querendo mais amar”, ou do grande desejo, explicitado no texto de sergio lima “as cartas do vidente e vidências das cartas de amor”, que completa a edição.

artaud segue as linhas de arthur rimbaud em “carta do vidente”, duas cartas manuscritas de 1871, onde o último fez do poeta “vidente por meio de um longo, imenso e refletido desregramento de todos os sentidos”. segundo sergio lima, é lá que se descortina “a revelação na poesia do feminino e da mulher”, que se estabelece a “linhagem da fascinação que se dá na troca e no encontro, encontros de corpo e alma, os dois batendo num só́ coração”.

esse livro tem o cuidado especial com encadernação em sanfona, que, retirada do estojo, abre-se como leque de cartas. os dois textos espelham-se como duplos de uma moeda giratória, à própria sorte do leitor. e intercalando as palavras do dramaturgo francês, desenhos do português antónio gonçalves dialogam com a corporeidade transbordante que derretem por páginas (des)pautadas. o livro é carne sem corpo, desejante, plasmática, alquímica, consoantes com uma das definições do teatro pelo próprio antonin artaud, como “terra do fogo, lagunas do céu, batalha dos sonhos”.