a morte difícil

R$ 50,00

ISBN: 978-58-1305-00-0 Categories: ,
Descrição

texto: rené crevel
tradução: alexandre barbosa de souza e bruno costa
posfácio: marcus rogério salgado
nota biográfica: josé miguel perez corrales
editora: 100 cabeças

a morte difícil, seguido de o espírito contra a razão, se a morte fosse apenas uma palavra, além da resposta do autor à enquete sobre o suicídio publicada na revista la révolution surréaliste.

a literatura-suicida do autor surrealista, “dono e senhor de olhos fechados” do navio em plena tempestade, como André Breton o retratou, é inédita no brasil.

o romance a morte difícil é o protagonista dessa seleção. nesse, o autor, que esteve entre as testemunhas de surrealismo absoluto no primeiro manifesto (1924), escreve uma das obras mais ousadas de seu tempo, “marcada por uma progressiva expansão dos limites do jogo narrativo, com a dissolução de elementos como o enredo e o avanço na direção de uma prosa reflexiva”, conforme o ensaio-posfácio “o primeiro sonho de arco-íris: entre corpo e desejo – a palavra”, assinado por marcus rogério salgado. o crítico-professor lança luz a esse romance que costura variadas relações entre os personagens, relações encobertas na sociedade burguesa parisiense da década de 20, ou os “anos loucos”, nesse ambiente de controle dissimulado, de (homos)sexualidade reprimida, mortificação do corpo, da farsa na hipocrisia moral entre duas madames submersas em ilusões lamentosas estabelecida logo nas primeiras páginas. um romance vibrante, que persiste nas centelhas de angústia pungentes do autor, com estrutura de montagens dinâmicas e oscilações no foco, “que vai de um distanciamento objetual do narrador em terceira pessoa a passagens de fluxo de consciência”.

a segunda parte apresenta dois ensaios poéticos, um poema em prosa e a resposta de crevel à enquete sobre o suicídio realizada no cerne do movimento surrealista. são testemunhos de toda uma obra de rebelião contra a sociedade burguesa e literatura em forma onírica, que garantiu ao autor a designação como “o grande teórico do sonho” por sarane alexandrian (le surréalisme et le rêve). “na grande aventura que é toda luta do espírito pelo espírito, o ser, se quer se tornar digno da liberdade”, escreve no ensaio o espírito contra a razão (1927), atiçada a partir da faísca de outra enquete dos surrealistas (“por que você escreve?”, revista littérature, 1919), onde “teve início a luta do espírito contra a razão a que dada, a escrita automática e o surrealismo se lançaram”.

nesta edição, resgata-se a afirmação da escritora annie le brun, de que reeditar rené crevel é ato de “justiça e salubridade”, pois traz a público um autor que encarou por toda sua a vida a morte como “se fosse apenas uma palavra”. alguém que teve coragem em desafiar os tabus do espírito e do suicídio, quem se pergunta “de que vale proteger meus dias da morte?”. afinal, viu na morte a beleza trágica e inescapável. não só recusou viver ignorando suas angústias, como as impregnou em sua escrita, conforme aprendeu com outros surrealistas na fusão inseparável da vida com a poesia. um convite, como “o pavão que anuncia o arco-íris”. a porta está aberta.